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terça-feira, 16 de agosto de 2011

Comprando Vinho Chileno



Wine has been produced in Chile for over four hundred years. If you´re into wine, and looking for good value bottles, you must know the history of Chilean wines.

Visto a forte conexão no passado com os vinhos franceses, o Chile é hoje uma potência por si só, oferecendo dos mais genéricos vinhos tinto e branco de mesa aos mais ambiciosos e refinados aromas.

Se você procura variedade e custo benefício, dê um mergulho nos vinhos chilenos!

Seguindo os passos dos australianos, que basearam seu mercado na relação custo-benefício de seus vinhos, a produção chilena acertou em cheio nos últimos anos. Se você estiver procurando por uma garrafa que tenha bom preço, você encontrará uma grande seleção para escolher entre os chilenos.

Mas não é somente no mercado de preços baixos em que o Chile se enquadra. Graças a investimentos bilionários em vinícolas, é possível também encontrar chilenos da mais alta qualidade (e preço!). Muitos dos melhores produtores franceses investiram no Chile e estão produzindo vinhos de altíssima qualidade. Domaine Barons de Rothschild-Lafit, um dos maiores produtores franceses, produz o excepcional Vina Los Vascos no Chile.

Produzir no Chile não somente isenta os produtores da complexa legislação francesa (garantindo total controle das técnicas de produção), como também acrescenta melhorias ao produto final, por conta do clima, do solo, e do fato de que o Chile é livre de filoxera (um minúsculo inseto sugador de seiva, aparentado com os pulgões, com um ciclo de vida muito complexo e totalmente dependente da vinha, única planta em que
pode desenvolver-se). Todas essas condições fazem do Chile o local ideal para produtores, que podem experimentar e estender ao máximo as fronteiras da produção.

Você sabia?

três quartos da produção chilena consiste de vinhos tintos;
o Chile produz vinho a mais tempo do que os EUA, a Austrália e a África do Sul;
o Chile criou sua fama com o Cabernet Sauvignon e o Merlot chilenos;
o Chile começou a exportar nos anos 90, seguindo os passos da Austrália;
o Carmenere cultivado na França foi dizimado em 1867 e declarado extinto. Em 1994 um professor de Montpellier percebeu que 50% do que as pessoas pensavam ser Merlot era, na verdade, Carmenere e que ele tinha sido importado pelo Chile antes do aparecimento da filoxera, responsável pela devastação dos estoques na Europa.


José Eduardo V. de Moraes

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Vinhos do Loire: uma expressão poética, mais que uma designação de origem


Loire wines - Probably the most diversified wines in the world.

O Vale do Loire é uma das mais belas atrações turísticas da França, com seus mundialmente famosos castelos. Não há como estar na região e não visitar o castelo de Chambord e suas peculiares escadas projetadas por Leonardo da Vinci, bem como o de Cours-Cheverny, parte aberto à visitação, parte ainda habitado pela família proprietária. Em Amboise encontra-se o maravilhoso castelo de Chenonceaux, construído sobre um rio, cheio de salas secretas. O Vale do Loire abriga também um extenso plantio de videiras que tem como característica marcante a diversidade, de onde se originam vinhos brancos e secos, meio-secos, doces e licorosos até os tintos leves ou profundos e intensos, passando pelos roses secos ou doces e pelos Cremants. É o clima de cada região do Loire que determina as variedades de uvas principais. No Pays Nantais, em torno da cidade de Nantes, a vizinhança com o Atlântico o torna chuvoso, obrigando os produtores a colheitas mais precoces para evitar a podridão; neste caso as uvas ainda não estão plenamente maduras e são destinadas, majoritariamente, para a elaboração de vinhos brancos secos, principalmente a base de Muscadet. No Anjou, as encostas com boa exposição ao sol são favoráveis para o plantio de Chenin Blanc para os brancos e a Cabernet Franc e Gamay para tintos e roses. Na Touraine há duas influências climáticas distintas, uma é a oceânica e temperada e a outra, mais continental, é mais quente. Por isso há vinhos com características diferentes, na maioria tintos com C. Franc , C. Sauvignon e Gamay e brancos com Chenin Blanc e outras. No Berry e no Nivernais, com clima semicontinental e inverno com os frios ventos do norte, seus famosos vinhos brancos (como o Sancerre e o Pouilly Fumé) são elaborados com Sauvignon Blanc, conforme vimos no artigo de abril passado.

Dica do mês:
Muscadet Sevre et Maine Sur Lie Royal Oyster 2006
Produtor: Marc Bredif, Loire, França
R$ 79,84 – importadora Vinci
Vinificado em tanque de aço inox a baixa temperatura, permanecendo em contato com a borra no tanque até o engarrafamento para ganhar complexidade.

José Eduardo Vieira de Moraes

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Sauvignon Blanc do Novo Mundo


Sauvignon Blanc - crisp, elegant, and fresh

A Sauvignon Blanc é uma casta popular, responsável por alguns dos mais distintos e aromáticos brancos secos do mundo, dentre eles Sancerre e Pouilly-Fumé do Vale do Loire, na França, como descrevemos no artigo passado. Os varietais produzidos a partir de Sauvignon Blanc, na sua maioria, são diretos e fáceis de agradar, atendendo, de forma geral, àqueles que buscam vinhos mais modernos e que privilegiam a fruta imediata, feitos para serem bebidos logo. Aromas herbáceo e vegetal são muito característicos dos vinhos elaborados com esta cepa, a qual se adapta melhor em regiões de clima frio. Foi a Nova Zelândia que se encarregou de produzir vinhos límpidos e frutados a preços competitivos, com uma qualidade que, às vezes, supera a dos vinhos do Loire. Nos vales mais frios do Chile, tais como Leyda, San Antônio e Casablanca, a Sauvignon Blanc origina vinhos muito interessantes. Na Califórnia, Robert Mondavi extraiu da Sauvignon um novo vinho, o Fumé Blanc. Esta adaptação recorre a um breve estágio em barril de carvalho para transformar um Sauvignon californiano chato e muito herbáceo num vinho que lembra um Pouilly-Fumé, mais redondo e marcado por notas de frutas brancas. O clima mais quente da Austrália não é o ideal para esta cepa, mais há bons brancos produzidos em Adelaide Hills, Margaret River, Orange and Padthaway. Na África do Sul, os produtores acompanham as tendências e técnicas internacionais como fermentação em baixa temperatura a fim de obter vinhos frescos e aromáticos. Ótimos exemplares são produzidos em Stellenbosch, Constantia e Paarl District. O vinho à base de Sauvignon Blanc escolta muito bem a culinária chinesa, além de ser um ótimo parceiro de peixes grelhados leves.

Dica do mês:

Montes Sauvignon Blanc Seleção Limitada 2009
Produtor: Viña Montes, Vale de Leyda, Chile
US$ 28.00 – importadora Mistral
Vinho de boa estrutura, aroma cítrico e boca agradável, com longo retrogosto herbáceo, bastante típico da cepa.

José Eduardo Vieira de Moraes

sexta-feira, 8 de julho de 2011

A origem da Sauvignon Blanc ou Blanc Fumé


Sauvignon Blanc - crisp, elegant, and fresh

A Sauvignon Blanc teve suas origens no oeste da França, especialmente nas regiões do Vale do Loire e de Bordeaux. No Vale do Loire, especificamente no Berry e no Nivernais, com clima semi continental e inverno com os frios ventos do norte, seus famosos vinhos brancos, como o Poilly-Fumé são elaborados com a Sauvignon.
Este soberbo vinho branco, conta-se, era o preferido de Napoleão, que o recebia de dois produtores locais, o barão de Ladoucette, do chateau de Nozet, e o conde d’Assay, do chateau de Tracy. O vinho é realmente exuberante, verde-dourado, aroma de especiarias e pleno na boca. A fermentação se dá entre 16°C e 18°C.

Nesta faixa se obtêm um vinho com aromas minerais mais evidentes que o exuberantemente frutado. Já em Sancerre, também no Vale do Loire, os solos variam entre áreas de base calcárea com cobertura argilosa (onde se produz brancos equilibrados, ricos e complexos), áreas de calcário compacto (caracterizando elegância e perfume) e de silex (que confere vigor ao vinho). Graves é a região mais antiga de Bordeaux e nela são produzidos excelentes vinhos brancos, muitas vezes com duas cepas, a Sauvignon que acrescenta fruta e acidez e a Semillon que dá corpo. Além da temperatura controlada citada acima, em Graves são empregadas algumas técnicas de extração de aromas, como as macerações peliculares, que consistem em deixar o mosto por algum tempo em contato com as cascas da uva. Dentro de Graves está localizada a denominação “Sauternes”, onde é elaborado o vinho licoroso mais famoso do mundo e a Sauvignon desempenha um papel relevante. Em próximo artigo abordaremos os vinhos de Sauvignon do novo mundo.

Dica do mês:

Sancerre 2009
Produtor: Roger & Didier Raimbault – Vale do Loire, França
R$ 97,00 – importadora La Cave Jado
Vinho bastante típico, aromas de pêra e ervas, boca cítrica com toque mineral.

José Eduardo Vieira de Moraes

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Refrescantes borbulhas – A excelência dos espumantes nacionais


Sparkling Wines ... save the bubbles ...

Nesta época de verão, com elevadas temperaturas (a parte das intensas chuvas na região sudeste do país), os espumantes servidos à temperatura de 6 a 8 °C são muito convidativos e refrescantes.

Os espumantes nacionais vão muito bem, como sempre. A produção só cresce: em 2005, atingiu 260 mil litros e, em 2009, terminou o ano com 700 mil litros, num aumento de 40%. E a Serra Gaúcha, que detém 90% da produção brasileira, tem se especializado cada vez mais neste tipo de bebida, considerado um dos trunfos da vinicultura no país.

Um dos principais fatores pela qualidade das uvas na Serra Gaúcha são as condições climáticas. De acordo com o enólogo Philippe Mével da Chandon do Brasil em artigo publicado na revista Vinho Magazine, de modo geral, a precipitação pluviométrica elevada e o alto índice de umidade podem comprometer a maturação ideal das uvas para a produção de vinhos tranquilos, mas se tornam muito adequados para a produção de vinhos espumantes.

Os meses de dezembro a fevereiro são determinantes no ciclo vegetativo das videiras, quando se foca na elaboração de espumantes; durante este período, o número de dias de chuvas é elevado, reduzindo a insolação e, consequentemente, as noites ficam mais frescas, com temperaturas abaixo dos 20°C. Estes dois fatores fazem com que as uvas mantenham um bom teor de acidez e um teor moderado de açúcar. Este perfil de maturação caracteriza perfeitamente as uvas destinadas à espumatização. A maturação lenta favorece a formação de aromas extremamente finos e delicados.

Os espumantes nacionais são elaborados principalmente à base das uvas Chardonnay, Riesling Itálico e Pinot Noir as quais são processadas tanto pelo Método Champenoise (segunda fermentação na garrafa) como pelo Método Charmat (segunda fermentação em tanques de aço inoxidável).

Dica do mês:

Inúmeros espumantes de qualidade a preços acessíveis estão disponíveis para o consumidor, tais como: Excelence Par Chandon Brut Reserve, Salton Reserva Ouro, Casa Valduga Brut 130, Cave Geisse Brut, Miolo Cuvée Tradition Brut, Aurora Brut Chardonnay, Peterlongo Elegance Brut, Luiz Argenta Brut, entre outros.

José Eduardo Vieira de Moraes

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Os grandes Rieslings alemães são celebrados no mundo vinícola


Germany's greatest grape has made a name for itself in the modern wine market.

A Alemanha produz essencialmente vinhos brancos que conservam frescor e elegância durante anos. É o caso dos vinhos feitos com a variedade Riesling. As primeiras videiras foram plantadas nas regiões do Reno e do Mosel pelos romanos. A variedade Riesling Renano, originária do Rio Reno, é mais difundida no mundo, com cachos e bagas pequenos. O vinho é de alta qualidade, agradável, de bom equilíbrio açúcar/acidez e muito aromático. Os principais descritores aromáticos são flores brancas e frutas citros, pêssego, damasco, maracujá, abacaxi, além de mel e minerais. Uma outra variedade é a Riesling Itálico, sendo esta mais cultivada no Brasil e dá origem a vinhos leves e para consumo rápido. A Alemanha é o principal país produtor de vinhos à base de Riesling, onde a uva consegue se expressar maravilhosamente como em nenhum outro lugar do planeta.
A Riesling é uma uva temperamental e exigente. Prefere as escarpas com muitos pedriscos, ou solos com calcário. Além disso,
custa a amadurecer, o que é um desafio num país de clima frio.
A tradicional vinícola Dr. Deinhard, localizada em Deisdesheim, na região do Palatinado, elabora Rieslings clássicos, com destaque para o Foster Ungeheuer de qualidade excepcional (aroma predominante de maracujá) e boa relação de custo. Nesta mesma região, encontra-se a vinícola Rings, formada em 2000 e aposta num conceito de vinhos modernos, extremamente secos. A talentosa dupla de jovens enólogos (irmãos) elaborou o excelente Riesling Weilberg 2009, vinho top da vinícola. Infelizmente estes vinhos não estão disponíveis no Brasil.

Dica do mês:
Fritz Haag Juffer Kabinett 2007
R$ 98,00 (Grand Cru)

Grande produtor alemão com vinhedos na região de Brauneberg, no Mosel, produziu este belo exemplar de Riesling, leve e frutado.

José Eduardo V. de Moraes

terça-feira, 26 de abril de 2011

O Tokay é o rei dos vinhos dos reis


Prized by the Tsars of Russia, Tokay wine was so desired that there was a group of Cossacks whose only mission was to ensure this wine reached them.


Para Luis XIV, o Tokay é o rei dos vinhos. Ele escolheu um Tokay Aszú para oferecer à Madame de Pompadour. Na época, era o mais apreciado na Europa, tanto por suas propriedades medicinais como por seu aroma rico e seu caráter refrescante. O vinho Tokay, que dizem possuir as mesmas virtudes de um elixir da longa vida, concedia, segundo Voltaire, vigor a menor fibra de seu cérebro, “possuindo um fogo que se exala em boas palavras e reacende, no fundo da alma, faíscas mágicas do espírito e do bom humor” (A. Lichine). O Tokay é um vinho de sobremesa resultante da furmint, cepa de pouco rendimento predominante na região nordeste da Hungria. A denominação abrange 5.400 hm no Tokajhegyalja. As melhores regiões são as de Tarcal e de Mad, onde a uva amadurece mais rapidamente, produzindo vinhos mais ricos e aromáticos, e a podridão nobre é favorecida pelas brumas do vale do Bodrog. A podridão nobre ocorre na uva em função do ataque do fungo Botrytis Cinerea, que age descolorindo os bagos, enrugando-os e concentrando seu conteúdo de açúcar, de acidez e de glicerina.
O Tokay Aszú Eszencia é produzido com o mosto que escorre das uvas dessecadas sem prensagem. É extremamente doce e tem um retrogosto que pode durar até 20 minutos na boca. O número de cestos (puttonyos) de bagos aszú (botritizados) adicionados a cada tonel de 136 litros determina a concentração e qualidade do vinho: 3, 4, 5 puttonyos, sendo o mais rico o Eszencia que é conservado em tonéis de carvalho por vários anos.

Dica do mês
Tokaji Aszú 5 Puttonyos 2002
R$ 263,11 (Mistral)

Aroma puro e complexo. No palato, é encorpado e untuoso, muito equilibrado, com perfeita acidez e um longuíssimo final de boca e leva a assinatura de Vega Sicília.

José Eduardo V. de Moraes

quinta-feira, 14 de abril de 2011

O vinho verde é, provavelmente, o mais português dos vinhos portugueses


Green wine is a light, lovely accompaniment to a splendid spring seafood lunch.

Dificilmente há similares em outros países. Apesar do nome, nada tem a ver com vinhos ainda não maduros ou qualquer outra relação direta com a cor. São tintos, brancos e rosês produzidos numa região delimitada, no noroeste de Portugal, com alta acidez, pouca graduação alcoólica, ligeiramente frisante e que devem ser provados gelados e jovens.
O vinho verde não envelhece bem, piora à medida que o tempo passa. Os brancos secos são melhores, em especial aqueles produzidos com a casta alvarinho. Nesta região dos vinhos verdes, que vai do rio Minho (fronteira com a Galícia) ao sul do rio Douro, os sistemas de condução das videiras empregados as mantêm elevadas, com muitas folhas. Deste modo, as frutas recebem pouco do calor refletido pelo solo e são protegidas da umidade, que poderia causar podridão e outras doenças.
Um sistema raro e curioso ainda adotado por alguns vinhateiros é o enforcado, onde a parreira sobe pelo tronco de árvores altas, principalmente as castanheiras, e a colheita é feita com a ajuda de escadas e cestas amarradas em cordas. Isto permite que o solo embaixo seja utilizado para outras culturas ou para criação de galinhas, porcos e cabras.
No processo de vinificação do vinho verde, o líquido passa por fermentação malolática que transforma o agressivo ácido málico no bem mais suave ácido lático. Mas sempre resta um pouco de gás. Seria um defeito num vinho comum, mas é desejável no caso do Verde, que deve mesmo dar uma sensação de “pinicar” a boca, é o que se chama de agulha dos Verdes. Vai muito bem com sardinha na brasa.

Dica do mês:
Quinta da Aveleda Branco 2008
R$ 38,00 (Interfood)

Amarelo palha com leve toque esverdeado. Aspecto límpido e ligeiramente brilhante. Aroma fresco, evidenciando a presença de frutos cítricos e ligeira nota floral. Boca bem fresca, típica.

José Eduardo V. de Moraes

quarta-feira, 23 de março de 2011

Para os dias mais frios, os vinhos à base da uva Tannat são uma boa pedida


Tannat is a minor red wine variety that deserves to be better known.

Em dias mais frios, há uma tendência para o consumo de pratos mais substanciosos que requerem a escolta de vinhos mais encorpados. Neste contexto, os vinhos elaborados a partir da uva Tannat se apresentam muito bem, cuja compatibilização enogastronômica clássica é com o goulash, famosa iguaria húngara, prato consistente, que pede um vinho com bons taninos e destacado frescor (características do Tannat) para dar o justo contraponto.
A uva Tannat é originária da região basca Madiran, no sudoeste da França. Os vinhos da Tannat são ricos em compostos fenólicos, estruturados e de coloração muito intensa, sendo, geralmente, ácidos, algo rústicos e potentes. Se a uva é madura e o vinho envelhecido em barrica de carvalho, desde que tenha tido na sua origem (no vinhedo), taninos de qualidade, os mesmos são polidos de forma que o vinho se torne relativamente redondo, mais suave e agradável. A Tannat foi introduzida no Uruguai na segunda metade do século XIX e hoje é considerada a uva emblemática daquele país, onde se originam vinhos mais suaves que em Madiran e que com três a quatro anos já estão prontos para beber, mas sem deixar de apresentar sua musculatura.

Dicas do mês:
Tannat Bouza 2007 - Uruguai
R$ 58,75 (Decanter)

Envelheceu 14 meses em barricas de carvalho francês e americano. No nariz, ameixas maduras e groselhas, café e alcaçuz. Taninos firmes e bom frescor.
Tannat Milantino 2005 Brasil, Serra Gaúcha
R$ 30,00 (vinícola Milantino www.milantino.com.br)
A safra de 2005 é considerada a melhor na história vitivinícola brasileira. Vinho de coloração roxo violáceo profundo. Seu aroma intenso lembra frutas vermelhas maduras, como amora, ameixa e especiarias. possui expressivo volume na boca, confirmando o que apresenta no aroma.

José Eduardo V. de Moraes

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Napa Valley nos EUA: uma viagem que vale a pena


The Napa Valley has been producing fine and memorable wines for more than a century. Indeed, the words "Napa Valley" have become synonymous with great California wine to consumers all over the world.

O Napa Valley situa-se a 70 km a nordeste de São Francisco. É uma pequena faixa de terra com 5 milhas de largura por 30 milhas do sul ao norte. As principais cidades do sul ao norte são: Napa City, Yountville, Oakville, Rutherford, Santa Helena e Calistoga. Cerca de 200 vinícolas dentre as mais importantes e produtoras dos melhores vinhos dos EUA estão no Napa Valley.
As primeiras videiras foram plantadas na Califórnia pelos missionários espanhóis em 1769, quando o território era domínio espanhol. Em 1822, a Revolução Mexicana pôs fim ao domínio espanhol e em 1850 a Califórnia é anexada aos EUA. Era a época da corrida do ouro, quando muitos imigrantes europeus foram para a região.
Até 1823 o Napa Valley era habitado pelos índios Wappo. O primeiro homem branco que se estabeleceu na área foi o General Yount, em 1831. Yount foi o responsável pelo plantio das primeiras videiras em Napa.
A maioria dos vinhos dos EUA são varietais. A Chardonnay predomina dentre as uvas para o vinho branco, além da Chenin Blanc, Sauvignon Blanc, Gewurtrazminer e Riesling. Para elaboração de tintos: Cabernet Sauvignon, Zinfandel, Merlot, Pinot Noir, Petite Sirah (que não é parente da Syrah) e Gamay.
O cultivo e a vinificação dos vinhos no Napa Valley estão dentre os mais modernos do mundo. O conceito de baixa produtividade visando qualidade é bastante enfocado. Utiliza-se bastante a fermentação em barricas, carvalho americano e francês para o amadurecimento e, em geral, os vinhos não são filtrados.
A principal diferença entre as vinícolas do vale da Califórnia e as do Velho Mundo é que as americanas parecem já ter nascido pensando em receber os visitantes: além da qualidade dos vinhos, destaque para as instalações das vinícolas, algumas com impressionantes jardins ornamentais, como a Newton (www.newtonvineyard.com). Na Niebaum-Coppola (www. rubiconestate.com), o tour termina na pequena loja, onde se destacam produtos relacionados aos filmes do cineasta Francis Ford Coppola, o dono da propriedade. Na Sterling (www.sterlingvineyards.com), chega-se à recepção de teleférico, com vista para os vinhedos. O acesso à maioria das propriedades é por uma estrada de apenas 56 quilômetros. Pode-se conhecer o Napa Valley também de bicicleta ou voando num balão (há agências especializadas nestes roteiros). Para quem viu e gostou do filme SideWays, vale a pena se programar para essa viagem.

Dica do mês
A vinícola Stag´s Leap Wine Cellars é famosa por seus vinhos tintos sedutores e deve seu nome a uma lenda indígena segundo a qual um cervo (stag) teria escapado de seus perseguidores atravessando um desfiladeiro com apenas um salto (leap). O vinho Artemis Nappa Valley Cabernet Sauvignon 2005 contém um pouco de Merlot, tem uma excelente estrutura e apresenta grande complexidade de aromas.
Preço: R$ 206,20 (Mistral).

José Eduardo Vieira de Moraes

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Vinhos com a emblemática Pinotage sul africana



This is not a wine for smelling, gargling and writing poetry about,” says Krige. “You drink Pinotage as you like it, when you like it.”

Em época de Copa do Mundo, não poderia deixar de comentar sobre os excelentes vinhos da África do Sul, em especial aqueles elaborados com a uva Pinotage.

Para traçar as origens da vinicultura na África do Sul, é necessário nos deslocarmos até meados do século XVII. Efetivamente, foi em 1659 que um colono holandês cultivou as cepas pela primeira vez, próximo à cidade do Cabo. Desde então, os vinhedos da África do Sul ganharam amplitude, permanecendo concentrados na parte sudoeste do país, na região da Cidade do Cabo, que desfruta de clima mediterrâneo “refrescado” por correntes frias que chegam até os vales fluviais.

Vários marcos históricos relevantes são pontos de referência nesta evolução. Em 1684, por exemplo, foi criado o vinhedo mais célebre do país, berço da vinicultura sul-africana, o domaine de Groot Constantia, cujo vinho licoroso fez a alegria de Napoleão I em exílio em Santa Helena e que, à mesa de Bismarck ou de Louis Philipe, superava o tokay, o madeira e até mesmo o sauternes do Château d'Yquem. Um néctar à base de muscat que, diziam na época, possuía um único defeito: ser produzido em pequeníssimas quantidades.

O segundo marco da história sul-africana está ligado ao exílio dos huguenotes franceses, expulsos de sua pátria após o Édito de Nantes, e que, ao se instalarem no norte e no sul da Cidade do Cabo, deram origem a uma considerável expansão de vinhedos.

Outra data importante: a fundação, em 1918, da KWV, Kooperatieve Wijnbouwers Vereiniging, poderosa cooperativa vinícola estatal que controlou o total da produção até os anos 1990.

Após o fim do apartheid em 1991, e a eleição de Nelson Mandela em 1994, o mercado sul-africano de vinhos pôde, enfim, se abrir para o mundo e
estabelecer relações comerciais com nações que até então boicotavam o país.

Os vinhedos sul-africanos exportam para o mundo inteiro vinhos de qualidade e variedade reconhecidas. Os viticultores, outrora preocupados apenas com a quantidade, tiveram que modificar sua filosofia para obter produtos de maior qualidade. Especial atenção foi dada à uva Pinotage, uma uva emblemática da África do Sul.

Em 1925, um viticultor sul-africano cruzou Pinot Noir com a Hermitage (Cinsault), daí nascendo uma nova variedade: a Pinotage. Essa variedade é genuinamente sul-africana, sendo festejada mundialmente por seus vinhos marcadamente ricos. Mais de 20% dos vinhos tintos sulafricanos é produzido com essa variedade. Esta é uma casta versátil, capaz de produzir vinhos leves para serem bebidos jovens e frescos até os mais estruturados, que envelhecem muito bem em garrafa.

Dica do mês
Kanonkop Pinotage 2007
R$ 118,55 (Mistral)


Nas encostas da Simonsberg, cuja silhueta se desenha a nordeste de Stellenbosch, região demarcada mais conhecida e de maior importância da África do Sul, os vinhedos de Kanonkop proporcionam, em locais mais baixos e protegidos, tintos generosos e bem elaborados, especialmente à base de Pinotage. Este exemplar é encorpado e potente, elaborado pelo melhor e mais premiado produtor de Pinotage do país, com maturação por 15 meses em barricas de carvalho francês de Nerves, sendo 90% novas e 10% de 2° uso.

José Eduardo Vieira de Moraes

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

CHIANTI WINE

Ah, Chianti. In the "old days", Chianti was the basket-bottle wine, served on a red checked tablecloth, holding a romantic candle.

Nos moldes modernos, o Chianti é vendido em garrafas normais, visando uma imagem mais elegante. O Chianti é um vinho tinto produzido na Toscana.

A Toscana é célebre em todo o mundo pelos vinhos tintos de Chianti, que na década de 60 eram conhecidos por sua magreza e insignificância. Nos anos 80, a região tornou-se a ponta-de-lança da inovação vinícola na Itália. O impulso foi dado pela principal zona de denominação de Chianti, a do Chianti Clássico, e pela pequena denominação de Chianti Rufina. A uva majoritária do vinho de Chianti é a sangiovese. Muitos Chianti se destinam ainda a um consumo mais rápido, mas não o Chianti Clássico: com suas notas de framboesa e de cereja negra, seu caráter muito seco e sua forte acidez, é difícil bebê-lo jovem ou fora das refeições. Quanto ao Chianti Rufina, sua acidez é ainda mais acentuada, mas ele tem, certamente, muito mais fruta e longevidade. Uma das combinações enogastronômicas clássicas do Chianti é massa com molho ao sugo.

Há uma lenda interessante envolvendo os vinhos Chianti: Em meados do século XVII, as disputas políticas envolvendo as cidades de Siena e Firenze (Florença) quanto à extensão territorial de cada uma alcançaram também a denominação dos vinhos Chianti. A fim de resolver essa questão, foi proposta a realização de uma prova para a delimitação das fronteiras.

A prova, uma corrida, envolveria um cavaleiro de cada cidade que deveria sair em direção à outra assim que o galo cantasse na alvorada. A fronteira seria o ponto onde
eles se encontrassem. Acertado isso, o povo de Siena elegeu um galo bonito, jovem, bem nutrido para cantar na alvorada enquanto que o povo de Firenze escolheu um galo negro, magro e mal alimentado. É claro que o galo de Firenze acordou mais cedo, pois tinha fome, e cantou antes do galo de Siena fazendo com o que o cavaleiro de Firenze tivesse boa vantagem. Essa vantagem fez com que os cavaleiros se encontrassem já bem perto de Siena e, como consequência, a cidade de Firenze conquistou um território maior que a vizinha. Dizem que essa disputa também levou para Firenze a exclusividade do nome Chianti que é representada nas garrafas por um galo negro.

Dica do mês
Chianti Tosca Colli Senesi Ten. Valdipiatta 2004
Produtor: Tenuta Valdipiatta
Importadora Zahil
Preço: R$ 59,00

Um Chianti com excelente custo-benefício. Um típico Chianti, com a expressão perfeita da sangiovese, corpo médio e pronto para ser tomado, pois não é um vinho de muita guarda (Já está com 6 anos). Uma excelente pedida para o dia-a-dia e vai bem com almôndegas ao molho de tomate, porém sem carregar muito no tempero.

José Eduardo Vieira de Moraes

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Comprando vinho chileno

Wine has been produced in Chile for over four hundred years. If you´re into wine, and looking for good value bottles, you must know the history of Chilean wines.

Visto a forte conexão no passado com os vinhos franceses, o Chile é hoje uma potência por si só, oferecendo dos mais genéricos vinhos tinto e branco de mesa aos mais ambiciosos e refinados aromas.

Se você procura variedade e custo benefício, dê um mergulho nos vinhos chilenos!

Seguindo os passos dos australianos, que basearam seu mercado na relação custo-benefício de seus vinhos, a produção chilena acertou em cheio nos últimos anos. Se você estiver procurando por uma garrafa que tenha bom preço, você encontrará uma grande seleção para escolher entre os chilenos.

Mas não é somente no mercado de preços baixos em que o Chile se enquadra. Graças a investimentos bilionários em vinícolas, é possível também encontrar chilenos da mais alta qualidade (e preço!). Muitos dos melhores produtores franceses investiram no Chile e estão produzindo vinhos de altíssima qualidade. Domaine Barons de Rothschild-Lafit, um dos maiores produtores franceses, produz o excepcional Vina Los Vascos no Chile.

Produzir no Chile não somente isenta os produtores da complexa legislação francesa (garantindo total controle das técnicas de produção), como também acrescenta melhorias ao produto final, por conta do clima, do solo, e do fato de que o Chile é livre de filoxera (um minúsculo inseto sugador de seiva, aparentado com os pulgões, com um ciclo de vida muito complexo e totalmente dependente da vinha, única planta em que
pode desenvolver-se). Todas essas condições fazem do Chile o local ideal para produtores, que podem experimentar e estender ao máximo as fronteiras da produção.

Você sabia?

três quartos da produção chilena consiste de vinhos tintos;
o Chile produz vinho a mais tempo do que os EUA, a Austrália e a África do Sul;
o Chile criou sua fama com o Cabernet Sauvignon e o Merlot chilenos;
o Chile começou a exportar nos anos 90, seguindo os passos da Austrália;
o Carmenere cultivado na França foi dizimado em 1867 e declarado extinto. Em 1994 um professor de Montpellier percebeu que 50% do que as pessoas pensavam ser Merlot era, na verdade, Carmenere e que ele tinha sido importado pelo Chile antes do aparecimento da filoxera, responsável pela devastação dos estoques na Europa.

José Eduardo V. de Moraes